Feeds:
Posts
Comentários

ESPERA

solidao[1]

Olhando pela janela, só o que vê é solidão. Lá fora a noite é escura e fria. Lá dentro também.

Dor, medo, frustração, sentimentos inenarráveis.

Ao redor, tudo parece ferir.

Encolhe-se num canto gélido do quarto escuro, como quem procura abrigo em meio a um bombardeio.

Não há paz, não há segurança, não há vida.

O que encontra é solidão, medo e dor.

Em meio ao caos, apenas espera… espera… espera…

Anúncios

INOCÊNCIA

556232__sleeping-pink-baby_p

A Inocência repousa ao meu lado, sorrindo.

Que lindo sorriso ela tem!

A Inocência quer me convencer de que o mundo é lindo e cor-de-rosa.

Ela se preocupa comigo, quer que eu seja inocente também.

Oh, doce Inocência!

Experimentei dores demais para acreditar em suas fantasias de flores, borboletas e fadas.

Em meu jardim, linda Inocência, há mais espinhos que flores, mais abelhas que borboletas, e nenhuma fada.

Não se assuste, pequena Inocência. Você não precisa se preocupar com nada disso, não precisa sofrer.

Continue vivendo seus sonhos rosados.

Você não precisa saber de nada disso.

O HOMEM INVISÍVEL

60743

Outro dia fui testemunha de uma cena chocante. Logo pela manhã, meio de semana, eu estava indo trabalhar. Logo que desci do ônibus ouvi gritos e, por instinto, olhei. Vi um homem, morador de rua, apanhando de dois policiais, em frente à uma padaria. O homem estava sentado no chão, na porta da padaria, esperneando, enquanto um dos policiais o segurava com violência e o outro batia com o cassetete e xingava-o. O homem berrava sua dor: “Aaaiiii. Aaaaiiiii.” Instantaneamente virei o rosto e passei de largo, repudiando aquela imagem que agora, infelizmente, ficou gravada em minha mente. Olhei ao redor e vi que as pessoas próximas, nos pontos de ônibus ou passando por ali, todos assistiam a cena, sem no entanto se manifestarem a respeito. Não pude conter minhas lágrimas e, mesmo caminhando rápido, ainda conseguia ouvir os gritos daquele homem à distância. “Aaaiiii. Aaaaiiiii.”

Naquele momento, pude ouvir a voz de Deus em meu coração, com muito carinho: “É assim que me sinto quando vejo um dos meus filhinhos sofrendo. Essa dor e essa tristeza que apertam seu coração por causa desse desconhecido, apertam o meu coração por causa do sofrimento dos meus filhos”. Claro que chorei mais ainda. Tentei me recompor, pois precisava trabalhar, mas fiquei o dia todo, e o dia seguinte também, impressionada e pensando no assunto.

Lembrei de um texto que estudei uma vez na faculdade (não me lembro o título, ou autor), que falava a respeito de ser invisível, de quando as pessoas não olham para o outro, não o reconhecem como semelhante. Normalmente isso acontece com os garis, porteiros, faxineiras de grandes empresas, mendigos. Costumamos passar por essas pessoas sem olhá-las, sem vê-las. São pessoas invisíveis. Não por serem literalmente invisíveis, o que faria delas pessoas especiais, com poderes extraordinários, mas porque não queremos vê-las. Esse homem, morador de rua, mendigo, é um homem invisível. Passo por ali todos os dias e sempre noto a presença de vários deles, mas nunca os encaro ou cumprimento. No entanto, nesse dia esse homem se fez visível. O homem invisível se tornou visível. E audível. Ainda tenho sua imagem e sua voz bem latentes em minha memória.

Deixo claro aqui que não sei os motivos da intervenção policial, nem julgo se estavam certos ou errados, se exageraram ou não. Não sei o que aconteceu, porque o homem estava apanhando, se tentou roubar alguma coisa ou apenas estava importunando alguém. Talvez não fosse a primeira vez, talvez ele tenha se excedido, talvez os policiais já estivessem cansados de agir por causa dele, sei lá. A questão aqui não é essa.

A questão é que o homem, certo ou errado, se fez ouvir, se fez ver. O homem invisível e sem voz. Sua dor, seu sofrimento, suas necessidades, sua existência foram notados por aqueles que decididamente o ignoravam.

Lembrei agora de um texto em Lamentações 3, onde o profeta Jeremias grita sua dor, chama a atenção de Deus para seu sofrimento, e Deus renova-lhe a esperança logo em seguida. Muitas vezes precisamos fazer isso. Muitas vezes precisamos chamar a atenção de Deus. Ele sabe de nossa existência, obviamente, não somos invisíveis para o Paizão. Mas, às vezes, precisamos gritar nossa dor, externar nosso sofrimento, nos fazer notados.

A dor que senti por aquele desconhecido é comparada à dor do Pai por seus filhos. Acho que, comparada é exagero. A dor de Deus pela humanidade é infinitamente maior do que aquela que eu senti naquela manhã. Prova disso é a morte de Cristo na cruz.

O que eu tiro disso tudo? Bem… pude saber quanto amor Deus tem pelos seus, e isso me leva a anunciar esse amor com maior ênfase, para que as pessoas saibam que não estão invisíveis diante dEle. Também entendi que algumas vezes as dores precisam ser gritadas, para os homens às vezes, para Deus sempre.

QUERIDO GREGÓRIO

Imagem

Faz já um tempo que estou pensando em te escrever, mas venho lutando com as palavras, que insistem em jorrar pelos meus dedos, sem qualquer disciplina ou subordinação, revirando todo o meu interior, bagunçando as emoções e derramando-as pelos olhos. Esta é uma carta de saudade.

Recentemente reli suas cartas e pude reviver cada momento contido nelas. Como é bom o tempo que passo com você. Sinto tanto a sua falta, e nem sei como te dizer ou demonstrar isso. Talvez você jamais consiga dimensionar o tamanho do amor que sinto por você. Talvez eu jamais consiga exprimi-lo em sua totalidade.

Só Deus sabe quanto eu desejo passar mais tempo com você. Queria dançar com você, ouvindo nossa própria música, e passear de mãos dadas ou, melhor ainda, abraçados, com os corações colados, como já fizemos tantas vezes. Tomar um vinho com você e rir de nossa intelectualidade inventada, como se soubéssemos de tudo um pouco. Olhar as estrelas e filosofar sobre a vida, sobre o mundo, sobre as ideias. Ler, pensar, compartilhar. Queria passar mais tempo com você, mas vejo a vida nos atropelando e nos afastando. Reconheço que grande parte desse afastamento vem de minhas escolhas erradas e admito que é um alto preço que venho pagando dia após dia. Ver seus sorrisos e saber de suas conquistas, tendo que observar à distância, sem poder te dizer o quanto estou orgulhosa por você ser quem você é e como você me inspira, é uma dor que carrego comigo constantemente.

Sinto-me culpada por não conseguir superar tantas barreiras que se levantaram entre nós, por não ter te recebido em casa outro dia, por não estar tão presente como gostaria num dos momentos mais importantes de sua vida e ter agido como mera coadjuvante de sua felicidade. Por favor, perdoe-me por ter colocado outro em seu lugar.

Apesar de tantos conselhos e encorajamentos que você me deu, continuei pegando atalhos, ferindo-me nos espinhos. Estou acorrentada em minhas derrotas e isso me envergonha. Vejo-te tão independente e bem sucedido, feliz e realizado, após um período de difícil escalada, e isso me enche de orgulho. Como já disse, você me inspira. Tenho muito orgulho de tudo o que você é para mim. Sinto muito por não poder ser grande coisa para você.

Sei que já passou um tempo, mas não poderia encerrar essa declaração sem parabenizá-lo por sua mais recente felicidade. Estou realizada em vê-lo tão feliz, com o sol brilhando ao seu lado, iluminando seu dia e sua vida. Desejo, de todo coração, que esse sol te envolva todos os dias, e te aqueça, realçando as cores de seus sonhos, trazendo outras realizações que eu sei que você tanto almeja. Vocês são perfeitos juntos e quero que saibam que os amo demais, muito mais do que posso dizer ou demonstrar.

Seja muito feliz, querido Gregório. Ainda teremos muitos momentos para rir juntos, sei disso. Ainda faremos coisas juntos e brindaremos sem motivo, apenas para apreciar o sabor de estarmos um com o outro… E vamos olhar as estrelas… E voar… E dançar… E ser feliz….

Com um amor indizível…..

Sua Lâmede

UM POUCO MENOS

Claro que ele ainda a ama.

Não consegue pensar ou desejar outra pessoa.

Se não for com ela, com quem mais será?

Ele a ama, e ponto.

Só que a ama um pouco menos.

Ele se entregou a esse amor desde o primeiro momento, desde a primeira troca de olhares, desde o primeiro toque de mãos. Entregou-se de alma, puro carinho. Mesmo o tempo não era capaz de diminuir o que sentia, só aumentava, cada dia mais entregue. Ela correspondia, se entregava também, sonhava junto os mesmos sonhos, sentia os mesmos sentimentos e amava igual. Um amor intenso e puro. Um não duvida do amor do outro.

Prometeram nunca deixarem de se olhar, nada os separaria.

Mas a vida real é diferente dos sonhos.

Um deslize mudou tudo, e apagou o amor.

Um erro aqui, outro ali, e tudo desmorona como um castelo de cartas.

Não dá para desfazer os erros; não dá para fingir que nada aconteceu.

O faz-de-conta não dura pra sempre.

Claro que ele ainda a ama.

Só que agora, ama um pouco menos.

A cada decepção, um pouco menos.

A cada mentira, um pouco menos.

A cada palavra dura, um pouco menos.

A cada frustração, um pouco menos.

A cada dia, um pouco menos.

Pouco a pouco, menos e menos…

até o dia em que não sobrará amor, apenas desprezo, raiva e orgulho ferido…

novamente igual entre os dois.

Imagem

BEIJO PLATÔNICO

Hoje eu desejei tanto um beijo seu.

Minha vontade era tamanha que eu podia sentir o toque dos seus lábios nos meus, tão macios, tão carinhosos…

Senti seus lábios quentes, grossos, tocando os meus bem suavemente, sem ousadia.

Sua boca estava trêmula, como a minha.

Nossos lábios estavam com saudades um do outro, há tanto tempo que não se encontravam.

Hoje, estavam tímidos, acanhados, com medo de se unirem, com medo de se entregarem.

Tanta coisa já aconteceu, tanto tempo se passou, que nossos lábios não tinham certeza se reconheceriam-se.

O beijo não começou na boca, e sim nos olhos.

Um olhar despretencioso, uma imagem sua que ficou guardada na retina da memória.

Um olhar meigo, apaixonado, jovem e sonhador, que não tinha medo de se entregar e revelar o que sentia, hoje estava reservado, rápido, fugitivo. No entanto, nossos olhos se conhecem o suficiente para se entenderem em poucas palavras, poucas olhadas.

Nossos olhares se demoraram mais, parados um no outro, entregando-se. Tudo foi dito no silêncio desse olhar. E quando os olhos se fecharam, sem uma única palavra ser pronunciada, nossa boca não aguentou a distância.

Seus lábios… ah, que saudade deles!! Poderia admirá-los por horas, tocá-los com meus dedos, sentir sua textura, seu tremor, seu calor, seu cheiro. Acariciá-los delicadamente com a ponta de meus dedos, sem pressa para consumí-los.

Quando finalmente nos beijamos, era como se o tempo parasse, e tudo ao nosso redor girasse e se desfizesse e só ficássemos nós dois, beijando-nos delicada e apaixonadamente.

Seu beijo ainda tinha o mesmo sabor da juventude, da paixão sem pretenção. Pude reviver o toque macio de que me lembrava, o carinho que transmitia, o fogo percorrendo por nossos corpos.

Nossa boca não se contentou. De beijos suaves e acanhados, entregamo-nos a beijos apaixonadamente quentes, que unem corpos e corações num mesmo compasso e ritmo. Era como se quisessemos nos tornar um só, e nunca mais nos separarmos novamente.

À medida que nos beijávamos, nossos corpos se fundiam e confundiam. Beijavamos sem reservas, sem medos, sem traumas… apenas deixando que nossas línguas se entendessem, como se entendiam tão bem antes, e retomavam o tempo perdido, o tempo do desencontro.

Não eramos eu e você, mas eramos um mesmo desejo, um mesmo beijo intenso, com a mesma e única finalidade de matar a saudade.

Todo meu corpo tremia, desmanchando-se em suas mãos, desfalecendo-se por seus beijos.

Sua boca, o sabor do seu beijo, seu calor, tudo ainda é do jeito que me lembro ter sido, quando ainda estavamos juntos. Que beijo delicioso o seu, que boca maravilhosa!!

Mas, espere um instante. Não foi assim que aconteceu.

Na verdade, você não está aqui.

Não posso te ver.

Não posso te sentir, te tocar, te cheirar.

Não posso acariciar seus lábios, sentir sua língua, respirar seu hálito.

Não sinto teu olhar me dominando, me confidenciando segredos.

Não sinto suas mãos me envolvendo, me abraçando forte, segurando minha cintura com ternura e paixão.

Não te beijei. Nem posso te beijar.

A razão disso é que você não está aqui do meu lado, não está comigo, não é mais meu.

Seus lábios, sua língua, sua boca, seus olhos, suas mãos, seu corpo, nada disso me pertence.

Não posso ter-te, sentir-te.

Não posso beijar-te.

Não posso beijar-te…

No entanto, em minhas lembranças você ainda está presente, como se tivesse sido hoje.

Em meus sonhos e desejos, seus beijos ainda são meus. E ninguém vai tirar isso de mim.

Deito-me para dormir, sentindo o gosto do beijo que só eu dei em você.

CASO VOCÊ AINDA SE IMPORTE

Sinto sua falta!! Meu Deus, como sinto sua falta!!

 

Fico relembrando o som da sua voz, seu sorriso, sua risada, seu olhar… ah, aquele olhar que me penetrava a alma e entendia tudo. Você se importava com o que se passava aqui dentro.

 

Muito antes de você partir eu já havia te perdido, já havia perdido isso de você. Muito antes de partir você deixou de se importar com o que acontecia por trás dos meus olhos…

 

Seus olhos hoje emitem fogo, ódio, rancor… dói demais… Não ouço sua risada há muito tempo e o som da sua voz se tornou como uma marreta, feroz, dura, me agredindo.

 

Para aplacar um pouco da saudade, revejo fotos, cartas, lembranças… momentos onde fomos felizes…

 

Hoje você se diverte em outros braços, respira outros ares, sorri para outras pessoas. Não sobrou nada para mim? Nada além de desprezo?

 

Já perdi a contas das vezes que chorei por você. Você me deu os melhores dias da minha vida. Você me deu os piores dias da minha vida. Ambos dóem demais… A saudade dói demais… A frustração dói demais… O arrependimento dói demais…

 

Hoje vivo de lembranças e esperanças. Ainda te terei novamente em meus braços, sem lágrimas, sem acusações, sem sofrimento. Ainda ouvirei sua risada mais sincera e verei em seus olhos a felicidade de estar novamente comigo. Ainda sentirei que você se importa comigo.

 

Mas hoje, agora, nesse exato momento, são só lembranças e esperanças… e dói demais….